Espécies exóticas invasoras ameaçam ecossistema no mundo
Prensa
Tribuna da Imprensa - Ciência e Ambiente, Brasil,  27-10-01
http://tb.bol.com.br/simpleRedirect.html?srv=cn&trg=http://www.tribuna.inf.br/noticia.asp?noticia=ciencia02
Ameaças à economia de várias nações, à biodiversidade e também à saúde da população, as espécies exóticas invasoras se tornam pragas e desafiam os sistemas de defesa sanitária pelo mundo afora. Uma estratégia conjunta para a América do Sul e países como Nova Zelândia, Canadá, Estados Unidos e Inglaterra foi apresentada com o objetivo de enfrentar o problema.
O documento preliminar, contendo as metas para prevenir a invasão de espécies exóticas, esteve em discussão desde 4ª feira última entre especialistas reunidos em Brasília, na sede da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa).
O objetivo é o de estabelecer uma estratégia com a visão do mercado mundial, até porque a intensificação das importações foi um dos meios para a entrada de espécies não-nativas em diversos países, ao longo dos últimos 30 anos.
Um inseto, uma cobra ou uma planta, todas essas espécies de grupos tão diferentes entre os organismos vivos, podem ser uma ameaça em áreas onde não ocorrem naturalmente. Se entram em determinado país intencional ou acidentalmente, podem competir com as espécies nativas e causar problemas ambientais desastrosos.
Há turistas, por exemplo, que levam, na viagem de volta, frutas ou mudas de plantas inexistentes em seu país, desconhecendo que essa displicente iniciativa pode causar danos ambientais terríveis, além de perdas econômicas. Numa fruta, pode viajar a larva de um besouro que ameaça determinada cultura.
Transporte acidental, no entanto, não deve ter sido o caso da cobra da árvore marrom (Brown Tree Snake), espécie nativa da Austrália, Nova Guiné e Indonésia. Introduzida depois da II Guerra Mundial na ilha de Guam, no Pacífico, essa cobra dizimou sua população de pássaros. Hoje, já é uma ameaça à saúde humana, ainda que sua picada não seja fatal para os adultos, embora venenosa. Tem-se notícia de que oito bebês morreram pela picada dessa cobra.
Regina Vilarinhos, pesquisadora da Embrapa Recursos Genéticos e Biotecnologia (Cenargen), conhece a fundo a problemática da invasão de espécies exóticas. Há pelo menos dez anos ela estuda a mosca-branca (Bemisia argentifolii) - espécie que ataca, no Brasil, diversas espécies de fruteiras, além de plantações de feijão, soja e algodão - Regina defende a melhoria do sistema de defesa sanitária do País, tanto na entrada de produtos agrícolas como industrializados.
A mosca-branca, por exemplo, entrou no território nacional na importação de plantas ornamentais. Só entre 1991 e 1997, causou prejuízos da ordem de R$ 1 bilhão. Regina Vilarinhos é uma das delegadas brasileiras no evento e considera a defesa sanitária uma área estratégica.
"Se o Brasil não se pautar prioritariamente pela defesa sanitária na comercialização de seus produtos, não conseguirá os manter no exterior", alerta. A matemática é simples. Um país só continua a comprar do outro quando há qualidade. Produtos contaminados são uma ameaça a qualquer imagem de qualidade e idoneidade.
A iniciativa de realizar o evento "Espécies Invasoras: Promovendo a Cooperação na América do Sul" partiu do Ministério do Meio Ambiente (MMA), especificamente do diretor do Programa Nacional para a Biodiversidade, Bráulio Dias.
Ele próprio observa que a questão da segurança sanitária vem recebendo uma visão ecológica e ambiental muito recente no Brasil. "Tudo começou com a assinatura da Convenção da Diversidade Biológica, na Rio-92, que o Brasil ratificou em 94", conta.
O Ministério, no entanto, destaca Dias, ainda não tem um levantamento do prejuízo ambiental com a invasão de espécies exóticas no País. "Há dados já compilados, mas ainda estão dispersos em programas distintos", disse.
Segundo ele, há uma ação no sentido de reunir esses dados e ainda pesquisar mais. O MMA lançou edital público para que universidades, grupos de pesquisa e empresas privadas apresentem projetos de controle de espécies invasoras. O resultado da seleção sai em novembro.
Volver al principio
Principal- Enlaces- Documentos- Campañas-- Eventos- Noticias- Prensa- Chat