Biodiversidade, sustento e culturas #122

Acapa nos mostra bandeiras Mapuche, com orgulho na sua história e identidade, gente disposta a defender o seu presente e o seu futuro da violência que paira sobre as comunidades deste e de tantos povos.

A violência corrói todos os tecidos de vida que toca. A própria ameaça já é essa violência manipulando as suas próprias teias de morte, tantos laços letais se amarram para cercar os povos. Para incapacitá los, tirar sua memória, intimidálos com pretextos, com mentiras, com o exemplo dilacerante que é infligido aos vizinhos, aos entes queridos.

Violência é também o controle férreo que rouba das pessoas a possibilidade de decidir, que abusa de um poder inventado para diminuir as outras pessoas. Para exercer um desprezo, invocar uma culpa, minar a confiança dos outros. Violência é fragmentar, zombar, proferir palavras que ferem, com ou sem razão.

Tornou se recentemente uma moeda de troca na medida em que as pessoas, com as suas comunidades e organizações, têm de enfrentá-la de todas as formas possíveis, para continuarem a existir. Muitas comunidades ou famílias isoladas fogem sem rumo, a fim de escapar aos extremos assassinos desta violência.

Mas voltamos a dizer. Exercese a violência verbal, violência em cada elo da cadeia de vida onde as pessoas estão imersas. Pode ser o desaparecimento dos seus títulos agrários, o cálculo digital que muda de mãos hectares de terra, os contratos com os quais querem convencêlos a receber dinheiro que os levará a legitimar aqueles que querem despojálos. A avalanche de agrotóxicos e a cobrança por cada etapa do trabalho agrícola que antes era entre amigos e vizinhos, e que hoje é controlado por delinquentes, monopolizadores de terras, “coiotes”, como são chamados em várias partes do continente.

Como se não bastasse, existem as forças repressivas, o exército e a polícia, a infantaria da Marinha, a guarda nacional ou como quer que sejam chamados dependendo do país. E, claro, os paramilitares, sejam eles assassinos do crime organizado, pessoas contratadas por “coronéis” ou empresas, sejam fervorosos devotos de seitas conflitantes, estão estrangulando a vida de tudo o que cruza o seu caminho.

Mas as pessoas têm coragem, clareza e se organizam. Seja na CLOC, na Via Campesina, no MST, no Zapatismo e em um leque de inúmeras comunidades que desde as suas regiões vão reconstituindo os seus laços, os seus projetos de vida, as suas noções, as suas certezas, o seu amor pelos seus territórios.

E hoje contam com projetos abrangentes como os IALAS, como os centros de formação multiculturais, universidades indígenas e, literalmente, milhares de projetos independentes que também vão tecendo, ao contrário da violência, fios de entendimento, de propostas, de mutualidade e de semeadura, muita semeadura de sementes e de razões, cultivos e sentimentos, ressonância e comunidade, soberania alimentar e agroecologia de raiz camponesa.

A tradução para português foi realizada pelo Centro Ecológico.

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