Brasil: agronegócio se apropria de apoio à agricultura familiar

Idioma Portugués
País Brasil

A reforma do Código Florestal continua apresentando emendas polêmicas e que destroem tanto o ambiente ecológico quanto o social.

A questão para a agricultura familiar do novo Código pretendia anistiar o desmatamento apenas em áreas de até quatro módulos fiscais, em beneficio do pequeno agricultor, que se utiliza da terra para sua subsistência.

 

Entretanto esse artifício, que antes só seria concedido a propriedades da agricultura familiar e que já tinha sido estendido a propriedades de até quatro módulos fiscais, está sendo aproveitado pelos latifundiários e o agronegócio que, através de seus representantes no Senado e demonstrando insatisfação com a concessão, conseguiram expandir a anistia para todos, independentemente do tamanho do módulo.

 

A modulagem fiscal varia de acordo com o estado em que a propriedade se encontra. Por exemplo, um módulo fiscal na Amazônia equivale a 100 hectares, ou aproximadamente, 93 campos de futebol. Já em São Paulo, o módulo vale apenas 20 hectares. Ou seja, o pequeno agricultor em São Paulo tem o mesmo beneficio da anistia que um latifundiário na Amazônia.

 

Além disso, propriedade de agricultura familiar e até quatro módulos fiscais que tenham rios com mais de dez metros, terão a sua largura do curso d'água recomposta, com o mínimo de 30 metros e o máximo de 100 metros.

 

A coordenadora de Meio Ambiente da Federação Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar (Fetraf), Maria da Graça Amorim, explica que mesmo a modulagem fiscal sendo o modo de parâmetro para se diferenciar o agronegócio e a agricultura familiar, é preciso haver novas políticas que ajudem ainda mais esse pequeno proprietário. “Nós não tratamos em módulos fiscais na atividade que tivemos com a ministra [do Meio Ambiente] Isabela Teixeira. Nós abordamos que queríamos políticas que criariam um programa nacional, com assistência técnica um banco de sementes e de viveiros, com mudas nativas das regiões, para que ela fosse voltada à questão da agroecologia”.

 

De acordo com o deputado federal Marcon (PT-RS), o pequeno agricultor não é quem provoca o desmatamento, e sim o agronegócio. “O agronegócio precisa ter a Reserva Legal (RL), pois quem agredi o meio ambiente tem que pagar por isso. O pequeno agricultor sempre contribuiu para preservar o meio ambiente. Ele estar liberado de utilizar a RL para sua própria produção , é uma forma positiva, porque pelo rigor da lei, ele só mexe com 0,8%, o que é insignificante para o Brasil”.

 

Além disso, Marcon diz que a criação de um fundo de compensação para quem preserva a RL, necessita ser implantado no novo Código, para beneficiar a agricultura familiar.

 

Propostas da Via Campesina para atender a Agricultura Familiar:

 

A Via Campesina defende medidas concretas para resolver os problemas da agricultura familiar, que não passam pela alteração do Código Florestal.

 

• Promoção de novas práticas produtivas, com a criação de políticas públicas consistentes voltadas para a agricultura familiar pelos órgãos federais e estaduais do meio ambiente e a Polícia Ambiental;

 

• Política de assistência técnica especializada em sistemas agroflorestais (SAFs) e agrosilvopastoris (SASPs), para a recuperação produtiva das APPs e RLs, e em manejo florestal para áreas onde existam maciços florestais;

 

• Política de fomento e crédito específico para recuperação produtiva com SAFs e SASPs e para manejo florestal comunitário;

 

• Programa de Produção e Aquisição de Mudas e Sementes, que garanta a compra de mudas e sementes e a doação para áreas de recuperação de APP e RL;

 

• Política de preço mínimo e de compra por meio dos Programa de Aquisição de Alimentos (PAA) e o Programa Nacional de Alimentação Escolar (PNAE);

 

• Política de agroindustrialização voltada para produtos oriundos de manejo florestal;

 

• Suspensão de todas as multas ambientais por desmatamento aplicadas à Agricultura Familiar para aqueles que adiram ao plano de regularização ambiental das áreas de RL e APP, conforme Programa Mais Ambiente, e sua posterior conversão em serviços de preservação, melhoria e recuperação da qualidade do meio ambiente;

 

• Pagamentos por serviços ambientais especificamente a agricultores familiares, assentados de Reforma Agrária, povos indígenas e comunidades tradicionais que têm seu modo de vida indissociável da preservação e uso sustentável das florestas e suas funções ecossistêmicas.

Fuente: MST-Brasil

Temas: Agronegocio

Notas relacionadas:

Los agricultores nacionales enfrentan mayores costos y precios de referencia internacionales a la baja, aseguran analistas. Foto José Carlo González

Importaciones de maíz alcanzan nivel inédito en el arranque de 2026

¿Quién es Wilmar International? El coloso del aceite de palma que mueve millones de toneladas en Asia

¿Quién es Wilmar International? El coloso del aceite de palma que mueve millones de toneladas en Asia

Escola rural fechada no município de Mojuí dos Campos, no Pará | Crédito: Vitor Shimomura/Brasil de Fato

Brasil perde 111 mil escolas do campo em 24 anos: ‘estão matando a vontade do jovem ficar’

La Confederación Paysanne boicotea la inauguración del Salón de la Agricultura por el presidente Macron

La Confederación Paysanne boicotea la inauguración del Salón de la Agricultura por el presidente Macron

Comentarios