Testes com transgênicos não beneficiam países pobres, diz ONU


Prensa
Folha Online, Brasil, 16-4-02
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Testes com transgênicos não beneficiam países pobres, diz ONU

da Reuters, em Genebra

Os testes com culturas geneticamente modificadas não servirão para ajudar os países em desenvolvimento, já que grande parte dos experimentos está mais preocupada em desenvolver tolerância a herbicidas e resistência a pestes do que em melhorar a produção, disse hoje a Organização das Nações Unidas (ONU).

Apenas um quarto dos testes nos Estados Unidos e 12,5% na União Européia (UE) estão relacionados diretamente ao rendimento das colheitas, demonstrou uma análise divulgada pelo Instituto de Novas Tecnologias da Universidade das Nações Unidas (UNU/INTECH).

"Uma grande parte da pesquisa com organismos geneticamente modificados não está lidando com as culturas certas ou os problemas importantes dessas plantações para que os países em desenvolvimento sejam beneficiados", disse a diretora do UNU/INTECH, Lynn Mytelka, em Genebra.

O instituto, com sede na Holanda, pediu que o setor público faça mais pesquisas para preencher esse espaço e usar o potencial da biotecnologia para beneficiar os países em desenvolvimento.

Uma maior resistência a pestes contribui com o rendimento das colheitas, mas para alimentar o mundo é preciso incrementar diretamente a produção, declarou o instituto em um comunicado.

"Para que a biotecnologia agrícola beneficie os países em desenvolvimento, será necessária a criação de culturas mais resistentes e novos tipos que se adaptem aos climas tropicais", disse Mytelka.

"Culturas como essa ainda estão muito distantes do mercado, em vista do ritmo lento com que os testes nessas áreas estão sendo feitos", acrescentou.

A análise, que incluiu dados de testes da UE até abril de 2001 e dos EUA até janeiro de 2002, ainda mostrou que pesquisas com culturas geneticamente modificadas, ou transgênicas, estão concentradas entre um pequeno número de empresas e um reduzido número de culturas.

Três empresas - Monsanto, Pioneer e AgrEvo - respondem por 48% dos testes nos EUA e 26% de todos os testes na UE. Três tipos de culturas - milho, batata e soja - correspondem a 64% de todos os experimentos nos EUA. Na UE, milho, beterraba e colza (um tipo de couve) respondem por 67%.

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